Detox tecnológico: o que isso tem a ver com a sua carreira

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Sobre como um detox tecnológico pode mudar sua relação criativa com a vida e o trabalho

Profissionais não criativos vão desaparecer. Não importa se você é daqueles que acessa mais o lado esquerdo ou o direito do cérebro; o que importa é se você é capaz de trazer à tona soluções e ideias que nem um robozinho de meia tigela – ou o bot da Nasa – seriam capazes de colocar na mesa. Aí, você me pergunta: o que isso tem a ver com detox tecnológico? Eu te respondo: tudo!

O nobre (e assustador) propósito do Google é Organizar as informações do mundo e torná-las mundialmente acessíveis e úteis. Nós amamos, e nem lembramos como era nossa vida antes dele. Google aqui é uma palavra-portal que inaugura uma era. A era da internet, do big data, dos algoritmos. Basicamente, um funil que funciona como mediador da nossa relação com o mundo. Some-se a isso o frenesi das redes sociais e pronto: nós e nossos smartphones somos companheiros inseparáveis. Que tragédia! A luz azul que emana da tela é fria e sem nuances. Game over.

Passado um ano sem férias e 365 dias plugados, viramos uma planta esturricada no calor do Rio de Janeiro. Assuntos baseados em notícias, na vida do vizinho, na seara horrenda da política. Nenhum fiapo sequer de energia criativa. Aconteceu comigo, mas estava disposta a me reerguer. Tirei dez dias de férias e me propus um detox tecnológico. Só olhava o celular uma vez por dia, respondia o necessário e zero redes sociais.

A cabeça vaga por paisagens diferentes. As ideias se desorganizam (o Google que me desculpe), ficam vagas e desestruturadas. Férias com menos fotos e mais memórias. Que maravilha é poder lembrar de uma cena, sem ter uma foto para corrigir a memória. Uma visão impressionista, altamente pessoal e parcial. Horas de descanso e até de tédio. Era o meu primeiro detox tecnológico.

Lá pelo sétimo dia de férias, o desapego era tão grande que até perdi o celular. Entrei no site da operadora e cancelei o chip. Aí sim, entrei no Facebook e postei (verbo que já não conjugava há dias) uma mensagem dizendo que só teria um celular novamente dali a 5 dias. Uma maravilha!

Quando voltei à vida normal, já plugada, me deparei com várias notícias que mostravam o Tio Zuckerberg dizendo que a missão dele para 2018 era “consertar o Facebook”, que os algoritmos iam privilegiar conversas pessoais em detrimento de mensagens de empresas. As ações do mundo azul despencaram. Se até o dono acha que está over, temos de repensar também.

Essa é a minha proposta para 2018. Repensar. Duvidar do Google. Voltar a perguntar coisas às pessoas. Tirar menos fotos. Postar menos ainda. E ser uma pessoa mais conectada com o meu cérebro natural. Eu sinceramente acredito que isso vai fazer diferença nas minhas escolhas pessoais e profissionais, nos inputs singulares que trarei para a discussão. E as ideias desestruturadas das férias não voltaram para o lugar. Criaram um novo.