Crise no Facebook: qual o status?

CompartilheShare on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Share on LinkedIn

Não sabemos ainda quais são as proporções, mas a crise no Facebook não é de hoje. Vamos aos indícios.

  1. O pessoal do Facebook perdeu a mão no filtro dos feeds, o que gerou a revolta das bolhas. Os algoritmos fazem o filtro e disponibilizam para o usuário somente o que ele quer ver e tudo o que vê confirma seu ponto de vista. A grande massa acha confortável e sai proliferando fake news por aí. Os mais atentos começaram a duvidar do valor da coisa.
  2. Para os nativos digitais entre 8 e 14 anos (ou seja, o futuro) o Facebook não é a rede social de entrada. Pelos meus cálculos de padaria, se a rede social fosse um país, sua taxa de natalidade estaria caindo vertiginosamente. Acredito que seja uma matriz populacional raquítica entre os adolescentes, gordinha entre as pessoas na faixa dos 30-40 e magra para a faixa dos 50-60. Os trend setters já caíram fora faz tempo! Podem até manter a continha, mas já estão noutra.
  3. A matéria-prima do Facebook é conteúdo. Conteúdo qualquer, não jornalístico. Dentro da lógica das bolhas, o Facebook passou a ser a fonte primária – ou a única fonte – de informação para muitas pessoas. Para a publicidade foi ótimo; para a cidadania, um horror. Resultado: em algumas passagens importantes de nossa história recente os conteúdos mais clicados e compartilhados em um determinado dia eram falsos.
  4. O Facebook e o Google estraçalharam o modelo de negócios dos veículos de mídia tradicionais, conforme explicou neste texto Ascânio Seleme, que após ter deixado a direção de redação de O Globo, ganhou uma coluna dominical no jornal.
  5. Na esfera internacional, somam-se a esse cenário a publicidade russa em favor de Trump e todos os demais episódios em que o mundo azul trabalhou em favor do “mal”.

No início deste ano, Zuckerberg, anunciou que sua missão para 2018 era consertar o seu monstrinho. Disse que o feed privilegiaria interações pessoais em detrimento de investidas publicitárias e conteúdos midiáticos. Pronto, hora da revanche! A Folha de S. Paulo foi lá e parou de usar o Facebook como canal de divulgação de suas notícias. Um bálsamo para um jornalão ressentido (não sem motivos).

Se antes, nós, marketeiros e comunicadores, nos perguntávamos como acessar nossos públicos através do Facebook, hoje, perguntamos se eles de fato estão lá; se acham aquilo relevante; para onde migrarão; em que proporção. É a lógica da comunicação contemporânea: a gente endeusa um canal, consome, canibaliza, deixa ele de ladinho e segue adiante. Claro, a empresa Facebook é maior do que a rede social Facebook e os caras não se rendem fácil. Seguimos acompanhando.